Blog criado como parte da disciplina "Ensino de Matemática para Pessoas com Deficiência", ministrada pelo Prof. Dr. João do Carmo

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Ensino de matemática para alunos com deficiência visual




Identificando limitações visuais em sala de aula


  • Segurar habitualmente os livros muito próximos ou muito afastados dos olhos na leitura;
  • Inclinar a cabeça para frente ou para o lado durante a leitura, com o intuito de ver melhor;
  • Franzir ou contrair o rosto na leitura a distância;
  • Fechar um dos olhos para ver melhor um objeto ou ler um texto;
  • “Pular” palavras ou linhas na leitura em voz alta;
  • Confundir letras na leitura e na escrita; 
  • Trocar ou embaralhar letras na escrita;
  • Não ler um texto na sequência correta;
  • Queixar-se de fadiga após a leitura; 
  • Apresentar desatenção anormal durante a realização das tarefas escolares;
  • Reclamar de visão dupla ou manchada;
  • Queixar-se de tonteiras, náuseas ou cefaléia durante ou após a leitura;
  • Apresentar inquietação, irritação ou nervosismo excessivo, após prolongado e intenso esforço visual;
  • Piscar os olhos excessivamente ou lacrimejar, sobretudo durante a leitura;
  • Esfregar constantemente os olhos e tentar afastar com as mãos os impedimentos visuais;
  • Sofrer quedas, esbarrões e tropeços frequentes sem causa justificada.
Algumas recomendações


  • Uso de lápis ou canetas de ponta grossa e cor preta;
  • Textos ampliados;
  • Muito contraste em textos e figuras, preferencialmente em preto e branco;
  • Iluminação adequada;
  • Entregar previamente o material que será apresentado na lousa ou em slides;
  • O educando com deficiência visual evolui para a construção de fórmulas matemáticas usando o tato e compreendendo cada passo do processo lógico que leva ao resultado;
Segundo Santos, Ventura e César (S/D): 
"Enquanto professores e membros da sociedade que nos rodeia, temos o dever de garantir o acesso de todos os alunos a experiências de aprendizagem ricas e diversificadas, que contribuam para a construção do sucesso escolar. Assim, devemos proporcionar, tanto a alunos cegos como a alunos designados por normovisuais, experiências de aprendizagem que promovam o desenvolvimento de competências  matemáticas e sociais.(...) Também o uso de materiais manipulativos ganha uma nova importância quando leccionamos alunos cegos. Este é um meio privilegiado para que alunos cegos contactem com formas ou sólidos geométricos. Integrados em tarefas com toda a turma, são também, um importante suporte de trabalho para os alunos designados como normovisuais.  Em síntese, mais importante do que conhecer as limitações dos alunos é encontrar formas de as superar ou, até, de as transformar em potencialidades".


Materiais Didáticos

SORABÃ


MATERIAL DOURADO


CÍRCULO DE FRAÇÕES

GEOPLANO


TANGRAN


Com um material adequado e uma metodologia específica, é possível trabalhar vários conteúdos, possibilitando um maior desenvolvimento do raciocínio e uso da memória durante o aprendizado.


FERRONATO (2010) descreve seu estudo realizado com alunos cegos e o ensino de matemática:
" O material concreto, denominado Multiplano, consiste, basicamente, em uma placa perfurada de linhas e colunas perpendiculares, na qual os furos são eqüidistantes. A superfície dos pinos apresenta identificação dos números, sinais e símbolos matemáticos tanto em Braille (auto-relevo) quanto em algarismos Hindu-arábicos, o que permite que o material seja manipulado tanto por pessoas cegas como por videntes, sem que estas necessariamente conheçam a escrita em Braille. Dessa forma, dentro de uma mesma classe os mesmos conteúdos matemáticos podem ser trabalhados com a turma toda, sem diferenciações, e através dos mesmos métodos e procedimentos, pois o que vai propiciar ao aluno cego a leitura dos pinos é o toque de suas mãos na sua superfície. Tem como objetivos contribuir com a sociedade no sentido de tornar mais próximo da realidade o discurso inclusivo nas salas de aula regulares, dando condições para que todos os alunos, não somente parte deles tenham acesso aos bens culturais acumulados, no que tange ao conhecimento matemático; principalmente para que esse acesso direcione ao entendimento do caráter lógico, dando condições para o educando cego ou não, desenvolver sua consciência crítica, no sentido de analisar todas as informações com cautela, ao invés de simplesmente absorvê-las, como se seguisse uma hierarquia incontestável".


Referências:
Nuno Santos; Cláudia Ventura; Margarida César. Alunos Cegos nas Aulas de Matemática. Universidade de Lisboa, Departamento de Educação & Centro de Investigação em Educação da Faculdade de Ciências.

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