ilusão de que ela foi alcançada".
George Bernard Shaw
Segundo Nogueira e Machado (1995, pg.74) "os professores de surdos costumam considerar que a matemática é a disciplina que menos apresenta dificuldades para as crianças à exceção dos dos problemas, cujos entraves são atribuídos, não sem razão, à dificuldade óbvia de interpretação dos enunciados". Este autor também observa que as dificuldades e fracassos matemáticos não acontecem com a mesma frequência entre os alunos ouvintes e os alunos com deficiência auditiva.
Historicamente, as pessoas com necessidades educacionais especiais veem sido interpretadas como impotentes pela sociedade, à medida que utilizam diferentes formas e meios para o acesso ao aprendizado; e a matemática é considerada, para os alunos surdos como um grande "problema escolar". Devido à abstração constante nos conceitos matemáticos e a necessidade da concretização das idéias e informações pelos alunos surdos, cálculos e raciocínios lógico matemáticos são vistos como grandes "vilões" por estes alunos.
Ano passado, ao trabalhar com alunos surdos pude notar que, muitos deles carregam um preconceito estipulado entre os surdos e a disciplina, no início das atividades perguntei a eles o que relembravam sobre matemática e as respostas caracterizavam a disciplina como "muito difícil", "impossível de compreender", "não entra na cabeça de surdos", e etc. Entretanto, tais alunos foram desenvolvendo sua concepção acerca da disciplina a medida em que novas formas de aprendizado foram inseridas em seu dia a dia escolar. Com a inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino, espera-se que novas formas, ou seja. novas práticas pedagógicas sejam implantadas e outas criadas a partir dos desafios que são encontrados no dia a dia escolar, de forma a promover o acesso dos alunos com deficiência ao conteúdo estipulado para a série a qual o mesmo frequente.
Carpin (2009), defende a cultura surda e a convivência dos alunos surdos com outros surdos, para o desenvolvimento de suas habilidades, além disso, a autora ressalta que "durante anos de educação de surdos, predominou o oralismo e a não valorização da cultura surda, talvez por isso exista essa dificuldade dos professores ouvintes entenderem e adaptarem-se à maneira de aprender do surdo. Não podemos negar que precisamos de metodologias diferenciadas".
Os autores Bezerra, Pereira e Costa (2004), em seu relato de experiência, observaram que é importante que o futuro professor de matemática tenha contato com as diferentes realidades. Puderam também aprofundar, no âmbito da Universidade, a discussão a respeito da inclusão social".
Referências:
CARPIN, T. D. Formação profissional para promover a aprendizagem de matemática de estudantes surdos. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRS. Porto Alegre: 2009.
BEZERRA, R.C.; PEREIRA, P. S.; COSTA, V.S. A educação matemática no contexto dos surdos. Anais do VIII ENEM - Encontro Nacional de Educação Matemática. Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Recife: 2004.

Nenhum comentário:
Postar um comentário