Blog criado como parte da disciplina "Ensino de Matemática para Pessoas com Deficiência", ministrada pelo Prof. Dr. João do Carmo

domingo, 1 de julho de 2012

Ensino de matemática para alunos com deficiência auditiva

"O maior problema com a comunicação é a
ilusão de que ela foi alcançada".
George Bernard  Shaw

Segundo Nogueira e Machado (1995, pg.74) "os professores de surdos costumam considerar que a matemática é a disciplina que menos apresenta dificuldades para as crianças à exceção dos dos problemas, cujos entraves são atribuídos, não sem razão, à dificuldade óbvia de interpretação dos enunciados". Este autor também observa que as dificuldades e fracassos matemáticos não acontecem com a mesma frequência  entre os alunos ouvintes e os alunos com deficiência auditiva.

Historicamente, as pessoas com necessidades educacionais especiais veem sido interpretadas como impotentes pela sociedade, à medida que utilizam diferentes formas e meios para o acesso ao aprendizado; e a matemática é considerada, para os alunos surdos como um grande "problema escolar". Devido à abstração constante nos conceitos matemáticos e a necessidade da concretização das idéias e informações pelos alunos surdos, cálculos e raciocínios lógico matemáticos são vistos como grandes "vilões" por estes alunos.

Ano passado, ao trabalhar com alunos surdos pude notar que, muitos deles carregam um preconceito estipulado entre os surdos e a disciplina, no início das atividades perguntei a eles o que relembravam sobre matemática e as respostas caracterizavam a disciplina como "muito difícil", "impossível de compreender", "não entra na cabeça de surdos", e etc.  Entretanto, tais alunos foram desenvolvendo sua concepção acerca da disciplina a medida em que novas formas de aprendizado foram inseridas em seu dia a dia escolar. Com a inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino, espera-se que novas formas, ou seja. novas práticas pedagógicas sejam implantadas e outas criadas a partir dos desafios que são encontrados no dia a dia escolar, de forma a promover o acesso dos alunos com deficiência ao conteúdo estipulado para a série a qual o mesmo frequente.

Carpin (2009), defende a cultura surda e a convivência dos alunos surdos com outros surdos, para o desenvolvimento de suas habilidades, além disso, a autora ressalta que "durante anos de educação de surdos, predominou o oralismo e a não valorização da cultura surda, talvez por isso exista essa dificuldade dos professores ouvintes entenderem  e adaptarem-se à maneira de aprender do surdo. Não podemos negar que precisamos de metodologias diferenciadas".

Os autores Bezerra, Pereira e Costa (2004), em seu relato de experiência, observaram que é importante que o futuro professor de matemática tenha contato com as diferentes realidades. Puderam também aprofundar, no âmbito da Universidade, a discussão a respeito da inclusão social". 

Referências:

CARPIN, T. D. Formação profissional para promover a aprendizagem de matemática de estudantes surdos. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRS. Porto Alegre: 2009.
BEZERRA, R.C.; PEREIRA, P. S.; COSTA, V.S. A educação matemática no contexto dos surdos. Anais do VIII ENEM - Encontro Nacional de Educação Matemática. Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Recife: 2004.
NOGUEIRA, C. M. I. . O ensino de matemática para surdos: as dimensões cognitiva, afetiva e inclusiva.. In: ROMANOWSKI, Joana P. MARTINS, Pura L. O. JUNQUEIRA, Sérgio R. A. (org). Conhecimento local e conhecimento universal: diversidade, mídias e tecnologias na educação. Curitiba: Champagnat, 2004, v. 2, p. 63-78. 

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